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Capitalismo Canábico

March 31, 2016

 
Qual é a relação da maconha com o sistema capitalista? Hoje em dia, em um mercado aberto e gerando dinheiro, a relação é até amigável. Entenda mais sobre a relação no texto do jornalista e empresário Fabio Bastos, direto de Hong Kong para o blog .

Muitas pessoas se assustam com a palavra capitalismo. Vêem uma conotação pejorativa ou de exacerbada exploração. Isso precisa mudar, principalmente nas cabeças dos povos sul-americanos, onde é implantada uma opressão implícita dentro do próprio sistema que rege nossas vidas. Em sua definição – sistema econômico baseado na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria, com o principal objetivo de adquirir lucro; sistema social em que o capital está em mãos de empresas privadas ou indivíduos que contratam mão de obra em troca de salário – fica nítida a simplicidade dos fatores que o compõem.

Fatores esses que ficam deturpados quando aplicados à Cannabis, devido a ligações da cultura do preconceito e associação com o crime, entranhados no cotidiano midiático. Sim, é possível termos uma boa relação com a Cannabis comercial, legal, desde hoje, inclusive no Brasil. Ao retirarmos as doses cavalares de preconceito e inserirmos o cânhamo nas definições aplicáveis ao capitalismo, vemos, então, nada mais que a legitimidade de um bem privado, uma matéria-prima, num sistema social que contrata mão de obra em troca de salário, assim gerando produtos, lícitos. E assim está bem exemplificado nos EUA.

No Colorado a maconha é vendida desde o princípio do ano de 2014 e o apocalipse não chegou. O povo sufragou o partido Republicano, conservador, nas últimas eleições, mas, ao mesmo tempo votou pela legalização da maconha em mais estados e o Distrito Federal, porque sabe que a política de guerra contra as drogas produziu resultados nefastos: fomentou a violência e encheu os presídios (sem reduzir o consumo ou a oferta). Ou seja, não deu em nada e só piorou as coisas. De qualquer modo, não se tem provas sobre se a legalização aumentou ou diminuiu o número de usuários, mas se tem provas de que está fomentando um crescente desenvolvimento do capitalismo moderno. Os efeitos da legalização estão sendo estudados. O mundo todo está esperando por esses resultados. O que se sabe por agora é que os capitalistas que entraram nesse ramo estão ganhando muito dinheiro e que o poder público está arrecadando muita receita com os impostos.

É porque a política dos EUA reconhece, finalmente, que o cânhamo pode ajudar a restaurar a economia agrícola, desempenhando um papel fundamental no combate às alterações climáticas e, melhor de tudo, permitindo que os agricultores familiares possam entrar em um mercado que, logo ao norte, no Canadá, ultrapassava $ 1 bilhão por ano à época. O cânhamo é uma variedade de cannabis – e, assim, um primo da marijuana – que contém 0,3% ou menos do componente de THC psicoactiva (Maconha contêm tipicamente 5% a 20% de THC). Não é possível obter “onda” de cânhamo, mas a partir de 1937, as leis de drogas dos EUA fizeram ser considerado fora dos limites.

Pois bem, a indústria do cânhamo está de volta. Uma disposição da lei 2.014 assinada pelo presidente Obama , o permitiu ser cultivado para fins de investigação na “Lei de Substâncias Controladas”, a principal lei federal de drogas. Os agricultores americanos foram assistir agricultores canadenses obterem enormes lucros com a planta: US $ 250 por acre em 2013. Em comparação, a South Dakota State University constatou que a soja, uma cultura importante, teve um rendimento de US $ 71 por acre no mesmo ano.

Depois de ser por anos o principal palco da guerra contra as drogas, as Américas estão se transformando no epicentro da busca por novas alternativas. Na Cúpula das Américas de 2012, em Cartagena, Colômbia, os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Guatemala, Otto Pérez Molina, fizeram um chamado ao debate regional sobre a legalização e a descriminalização das drogas. Nos meses e anos seguintes, as iniciativas de descriminalização e legalização ganharam força nos demais países da região, exceto o Brasil, que mantém uma abordagem completamente provinciana e atrasada sobre o assunto. Discute-se um ponto de vista amplamente difundido que é o de ser uma questão de saúde e não de polícia ou justiça, enquanto outras nações começam a colher os frutos comerciais de posicionamentos que já superaram a proibição faz tempo.

Imaginem caros amigos leitores, o potencial brasileiro nesse segmento agrícola, a qualidade de produto que nossas terras podem oferecer, a riquesa que pode ser gerada através do trabalho de nossa gente e como tudo isso pode ser revertido para o bem estar da população brasileira. Não sejamos hipócritas e falsos moralistas, ora, acredito que este tempo já passou. Ou você pensa que será econimicamente salvo pelos posicionamentos retrógrados da bancada evangélica da política brasileira? Essa utopia doutrinária, que aí está, e que em muitos casos prevalece é o câncer da evolução do segmento em nosso país, por onde escorrem as possibilidades reais de crescimento do promissor capitalismo canábico.

Na China, país “comunista”, que exerce influência e protagoniza o capitalismo moderno no mundo, essa indústria é vista como uma alternativa muito importante, onde a expansão da produção de cânhamo oferece enormes benefícios para o país, pois, primeiro, ele daria uma nova e importante fonte de fibra para a indústria têxtil, reduziria a dependência de algodão e, no processo, livraria grandes áreas de terras produtoras de algodão para produção de alimentos. Além disso, o cultivo de cânhamo geraria renda extra para milhões de pequenos agricultores em algumas das mais pobres áreas rurais do país. E isso, quem endossa é o Sr. Zhang Jianchun, ex diretor Geral da Hemp China Research Centre, de Pequim, com quem já tive o privilégio de conversar.

Atualmente, a China cultiva o cânhamo industrial em uma área de cerca de 20 000 ha. Isso é apenas uma fração do 5,6 milhão ha dedicados ao algodão (China é o maior produtor do mundo, com uma colheita superior a 6,6 milhões de toneladas por ano). Entre as fibras naturais processadas para uso em produtos têxteis chineses, a produção de cânhamo figura atrás que a de lã e de seda e de outras fontes liberianas como linho, juta, kenaf e rami. O Hemp China Research Centre está trabalhando para mudar isso e restaurar o cânhamo para o seu lugar, uma vez importante na agricultura e têxteis chineses. Sr. Zhang aponta que a China é o berço do cânhamo industrial: evidência arqueológica mostra que a planta foi cultivada por cerca de 4 000 anos atrás, e não foi superado pelo algodão em roupas até início do século passado. Hoje, uma pequena quantidade de tecido de cânhamo puro é produzido na China para os mercados de alto valor de nicho. Mas, segundo Sr. Zhang, o futuro da fibra está na sua integração na produção de algodão, lã cashmere, seda e mistura com fibras sintéticas. A chave para o futuro do cânhamo em tecidos é “cottonization”: remoção da lignina que une as fibras de cânhamo (talos e dá sua rigidez), utilização de máquinas especialmente desenvolvidas e uma série de tecnologias de resinagem.

Com isso, caros amigos leitores, quero exemplificar, obviamente com fatos, que todo o mundo está caminhando para uma expansão do cultivo de cânhamo industrial, participando e fomentando o capitalismo canábico, quebrando as barreiras do preconceito e redescobrindo as centenas de formas de utilização desta planta que, tanto para a área medicinal quanto para a área de manufaturados, mostra-se mais uma vez, através dos séculos, ser um dos bens mais preciosos da humanidade. Cabe a nós, brasileiros, lutarmos para não ficarmos de fora, ou tão atrasados (como sempre) neste fabuloso movimento global, que, ao contrário da opinião de nossa bancada evangélica, é do bem e foi nos dado por Deus. Fiquem “de boas”, “buenos humos” e nos vemos daqui quinze dias no próximo artigo!

 

Quer entrar em contato com o autor? Mande seu e-mail para o endereço sedinauy@163.com.

Ilustração de capa: Sam Ward

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